Gabriel's Rapture Part1 Professor Gabriel Emerson embarcou em um apaixonado, mas clandestino caso com sua ex-aluna Julia Mitchell, mas quando eles retornam de suas férias românticas na Itália, sua felicidade é ameaçada. Gabriel sucumbirá ao destino de Dante?
Gabriel's Inferno Parte III - Legendado
Gabriel's Inferno Parte 3 -
Gabriel's Inferno Parte II - Legendado
Gabriel's Inferno Part II
O professor Gabriel Emerson finalmente descobre a verdade sobre a identidade de Julia Mitchell, mas sua realização chega um momento tarde demais. Julia termina esperando que o respeitado especialista em Dante se lembre dela e não quer mais nada com ele. Gabriel pode reconquistar seu coração antes que ela encontre amor nos braços de outra pessoa?
Gabriel's Inferno Parte 1 - Legendado
O Inferno de Gabriel Parte 1Título Original: Gabriel’s Inferno
Filme: Cinquenta tons de Liberdade - Legendado
Cinquenta Tons de Liberdade - Legendado
Sinopse: Superados os principais problemas, Anastasia (Dakota Johnson) e Christian (Jamie Dornan) agora têm amor, intimidade, dinheiro, sexo, relacionamento estável e um futuro promissor. A vida, no entanto, ainda reserva surpresas para os dois e fantasmas do passado como Jack Hyde (Eric Johnson) e Elena Lincoln (Kim Basinger) voltam a impedir a paz do casal.Filme: Cinquenta tons mais Escuros - Legendado
Cinquenta tons Mais Escuros - Legendado
Sinopse: Incomodada com os hábitos e atitudes de Christian Grey (Jamie Dornan), Anastasia (Dakota Johnson) decide terminar o relacionamento e focar no desenvolvimento de sua carreira. O desejo, porém, fala mais alto e ela logo volta aos joguinhos do empresário, sendo que, aos poucos, passa a compreender melhor os jogos sexuais que ele tanto aprecia.Filme: Cinquenta tons de Cinza - Legendado
Cinquenta Tons de Cinza - Legendado
Sinopse: Anastasia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante de literatura de 21 anos, recatada e virgem. Um dia ela deve entrevistar para o jornal da faculdade o poderoso magnata Christian Grey (Jamie Dornan). Nasce uma complexa relação entre ambos: com a descoberta amorosa e sexual, Anastasia conhece os prazeres do sadomasoquismo, tornando-se o objeto de submissão do sádico Grey.LPA Capítulo 55
Capítulo 55
NEGRO
Ana
Eles o ativaram. Seus pais. Eles o
ignoraram toda a sua vida, e nas vezes que vêm vê-lo, tudo que eles fazem é
machucá-lo. Não demorou, mas um par de horas depois da visita que fizeram em
Austin, Chris ficou totalmente negro.
Taylor sabe disso. Sawyer sabe disso. O treinador e Gail, eles sabem disso
também.
Na manhã após a visita, ele mal conseguia sair da cama, e tem sido assim há
dias. Chris está na lona. Dói vê-lo e sinto como se eu estivesse levando um
chute no estômago diariamente.
– Não se levantou ainda? – Taylor me pergunta da sala de estar hoje.
A equipe está espalhada por sofás ao me ver fechar a porta do quarto principal
por trás de mim.
Balanço a cabeça em desespero. Chris se afundou tão totalmente que está fechado
como nunca o vi antes.
Ele mal olha diretamente para mim. Mal come. Mal fala. Ele está em um mau, mau
humor, mas
parece estar lutando para não descontar em alguém, e, portanto, não diz nada,
absolutamente nada.
Tudo o que posso ver de sua luta interna são aqueles punhos dele, abrindo e
fechando, abrindo e fechando, enquanto fixa seu olhar em um ponto e o mantém
lá, durante minutos e minutos e minutos, como se tudo o que visse estivesse
dentro dele.
– Merda. Mais um dos ruins – diz Taylor, arrastando a mão pelo rosto. Ele
continua chamando de “ruim”.
Os rostos de Gail, Lupe, Taylor e Sawyer estão da maneira como eu me sinto:
terríveis.
– Será que ele, pelo menos, tomou as cápsulas de glutamina? – perguntou o
treinador, a testa
enrugada até no alto de sua cabeça calva. – Caso contrário, ele vai perder a
massa muscular que trabalhamos tão duro para construir...
– Tomou, sim.
Ele simplesmente tirou de minha mão, empurrou-as com um gole de água, e se
jogou de volta na cama.
Ele nem sequer me puxou para si como nas vezes em que está maníaco.
É como se ele não gostasse de si mesmo... E não gostasse de mim.
Silenciosamente, e sentindo-me cinza como se eu
tivesse uma nuvem de tempestade em cima de mim, vou me sentar em uma cadeira e
fico olhando para as minhas mãos, e sinto os olhos de todos me observando por
um longo, terrível minuto. Estão focados em cima da minha cabeça, como se eu soubesse
como lidar com esta merda. Eu não sei. Passei duas noites segurando um grande
leão pesado em meus braços, chorando em silêncio para que ele não me ouvisse. O
resto dos dias, passei esfregando os músculos, tentando trazer Christian Grey
de volta para mim.
Christian simplesmente não percebe que ele é o único que nos mantém juntos.
Agora estamos
todos lutando para erguê-lo. Somos tão codependentes, todos estamos de alguma
forma deprimidos junto com ele. Eu sei de fato que, depois de ver os rostos de
todos eles por quase três dias, nenhum de nós vai sorrir até que vejamos duas
covinhas novamente.
– Ele disse alguma coisa? – Taylor quebra o silêncio. – Ele está, pelo menos,
irritado com esses
idiotas? Com alguma coisa?
Balanço a cabeça.
– Esse é o problema com Chris. Ele apenas leva a pancada. Continua de pé, mas
leva. Às vezes eu espero que ele diga alguma coisa, o que está sentindo, porra!
– Taylor se levanta e começa a andar.
Sawyer balança a cabeça.
– Eu respeito isso, Taylor. Quando você abre a boca pra dizer alguma coisa,
essa coisa torna-se real. Seja o que for que está remoendo em sua cabeça, o
fato de que ele não expressa significa que está lutando contra isso. Ele não
está deixando o assunto ser importante o suficiente para cuspir pra fora.
Deixo cair meu cabelo como uma cortina e pisco de volta a umidade em meus
olhos, recusando-me a deixá-los ver como tudo isso me afeta. Mas afeta. Eu
fiquei deprimida uma vez na minha vida. É um buraco fundo e negro. Não era uma
depressão leve, como quando você fica triste e tem TPM. É o sentimento
avassalador que lhe faz desejar morrer. E querer morrer é completamente contra
todos os nossos instintos de sobrevivência. Nosso instinto normal é matar para
proteger nossos entes queridos, matar para sobreviver. Só imaginar que Chris está
sentindo a mesma bagunça que senti quando minha vida explodiu em torno de mim é
algo que me puxa tão profundamente na escuridão que fico mais preocupada em não
ser capaz de tirá-lo do buraco, do que de cair lá dentro com ele.
Seja o que for que ele esteja sentindo, preciso me lembrar de que ele não pode
controlar os
pensamentos que sua mente está jogando. Sua mente não é ele, apesar de ela
agora controlar suas reações. Quero apoiar, ser estável, compreensiva. Não
emocional, carente, como se fosse
desmoronar a qualquer momento. E, Deus, com seis meses de gravidez, eu estou definitivamente
emocional, carente, e desmoronando sem ele.
– Pelo menos ele está vindo esmurrar os sacos de areia. Você não sabe o quanto
eu o admiro por isso – acrescenta Sawyer melancolicamente.
– Você acha que ele vai sair dessa antes da luta, Ana?
– o treinador me pergunta. – Por Deus,
ter visto o meu menino ser humilhado em sua última temporada lá fora... Este
era o seu ano. Esta era a sua temporada.
– Eu não acho que ele vá lutar hoje à noite – admito.
– Então podemos dizer adeus a um ranking em primeiro lugar – diz Taylor.
– Você não pode deixá-lo lutar assim, Taylor! Ele pode se machucar. Ele poderia
ferir a si mesmo – explodo, e respiro fundo para tentar me acalmar.
– Teria sido melhor se ele não se lembrasse – diz Taylor, com uma quantidade
infinita de amargura em sua voz.
– O que você quer dizer?
– Seria melhor se ele não se lembrasse do que seus pais fizeram com ele.
Meus instintos protetores surgem com uma vingança.
– O que eles fizeram com ele?
Há algo alarmante na maneira como Taylor hesita, na maneira como os olhos passam
por todo o grupo e, em seguida, acomodam-se em mim. Meu pulso palpita mais
rápido do que o normal quando ele finalmente fala.
– A primeira vez em que eles o internaram por conta de um surto foi quando ele
tinha dez anos, Ana. Mas antes, pensaram que ele estava possuído. Ficaram
fanáticos com isso e mandaram fazer um exorcismo em Chris.
Quando essas últimas palavras se filtram no meu cérebro perturbado, fico de
coração tão partido e rasgado que sinto que ele murcha em meu peito. Emito um
som e cubro minha boca.
Gail cobre o rosto.
Palavrões caem dos lábios de Sawyer quando ele vira a cabeça para o tapete.
O treinador olha para suas mãos.
O silêncio que se estende... É tenso com a tristeza, com a descrença, e
com essa agonizante
frustração... De um menino doente que era tão incompreendido...
Penso em “Iris”, a canção que ele tocou para mim. A canção pela qual ele
queria ser visto e
compreendido por mim. Quando nem mesmo seus próprios pais o entendiam.
Oh, Deus.
– Chris foi colocado em um círculo de exorcismo em sua própria casa – diz Taylor,
empurrando o punhal mais fundo dentro de mim. – O quarto dele foi despojado de
tudo para que ele não fizesse mal a ninguém, e ele foi amarrado à sua cama.
Isso durou por dias, não sabemos exatamente quantos, mas mais de uma semana,
até que um menino vizinho que costumava brincar com Chris veio procurar por ele,
e os pais intervieram. O “homem santo” foi demitido, e Chris foi então
internado.
Não há nenhum som na sala.
Eu parei de respirar. Sinto como se eu tivesse deixado de viver.
– Infelizmente – Taylor continua: – Ele se lembra daquele episódio maníaco,
porque na instituição, eles fizeram alguma hipnose experimental pra apagar suas
memórias. Pra ver se alguma terapia iria funcionar. Não deu. Pior é que o seu
próprio corpo o teria protegido dessa lembrança dolorosa se não tivéssemos
fodido com aquela merda de hipnose.
Ainda não há um som.
Mas posso ouvir meu coração batendo dentro de mim, tão forte. Forte e pronto,
como naqueles
momentos em que eu poderia correr como o vento. Posso até ouvir o sangue
jorrando pelas minhas veias, rápido e furioso. Estou pronta... E com
raiva... E desesperada para lutar contra algo. Para lutar por ele. Eu me
lembro dele me dizendo que tinha uma lembrança de seus pais. Como sua mãe fazia
o sinal da cruz sobre ele de noite. Uma dor indescritível racha meu corpo por
dentro em minúsculos lugares. Oh, Chris.
– Então ele se lembra de tudo isso? – pergunto, enquanto o meio do meu corpo
queima de raiva impotente.
– Sei que ele sabe que eles estão errados... Quando ele está bem. Mas
quando esse lado negro
vem, sei que ele pensa sobre isso. – A frustração e o desespero de Taylor estão
esculpidos em cada linha de seu rosto. – É natural se perguntar por que você
não foi querido.
– Mas ele é querido! – Eu choro.
– Nós sabemos, Ana, acalme-se. – Sawyer levanta e se aproxima.
Ele me abraça com ele, e eu percebo que as minhas mãos estão na minha barriga,
e a imagem de meu Christian como um menino sofrendo tal coisa por causa de algo
que não era sua culpa rebate dentro de minha cabeça. Oh, como eu gostaria de
ter aqueles pais dele na minha frente agora e, ao mesmo tempo, estou feliz de
que eles não estejam aqui, porque não sei o que eu faria ou diria a eles.
Mas eu quero machucá-los por terem machucado o filho! Quero bater e gritar com
eles e correr atrás deles com um tridente. Aperto minhas mãos e me afasto de Sawyer.
Ele e Taylor são como meus irmãos agora, mas Chris não gosta que eles me
toquem, e não gosto de fazer nada que o magoe, mesmo que ele não esteja vendo.
Quero ser confortada, mas o único conforto que quero é do homem na cama no quarto
principal.
Silenciosamente, volto para lá.
– Vejo vocês mais tarde, obrigada por terem vindo saber dele.
– Um de nós vai estar por perto – informa Taylor.
Não quero fazer barulho, então aceno da porta e a fecho atrás de mim, e meu
coração faz todas as coisas loucas que ele faz quando vejo Chris. Sua forma
muscular está na cama, deitado de rosto para baixo,
como um leão em repouso. Meu menino brincalhão, meu protetor, meu namorado
ciumento, meu lutador arrogante. Meu menino mal compreendido.
Meus olhos correm por toda a sua extensão, seu cabelo escuro espetado contra o
travesseiro, sua mandíbula bonita e quadrada. Ele está quieto e descansando.
Descansando como se estivesse ferido em algum lugar onde minhas mãos não podem
chegar e meus olhos não podem ver.
Alcançando atrás de mim, tranco a porta, então começo tirando minhas roupas.
Não são razões
sexuais que me fazem querer ficar nua, mas porque preciso sentir sua pele na
minha. Ele nunca, nunca dormiu uma noite sequer comigo tendo qualquer coisa
entre nós.
Ele gosta de me sentir, e morro de vontade de senti-lo.
Subindo na cama, abraço-o por trás.
– Olhe pra você – digo, imitando o que ele me diz às vezes, passando meus
lábios por sua orelha e deslizando minha mão pelo seu ombro e seu peito,
espalhando a minha mão onde seu coração bate.
Ele geme quando beijo a parte de trás de sua orelha.
– Olhe pra você – digo carinhosamente em seu ouvido.
Lambo a parte de trás de sua orelha suavemente, como ele faz para mim, passando
minhas mãos por toda a extensão dele, acariciando-o como faz comigo.
– Eu adoro, amo, preciso e quero você como nunca pensei ser possível amar e
adorar e precisar de outro ser humano ou qualquer outra coisa neste mundo –
sussurro.
Ele rosna baixinho, como se fosse de gratidão, e meus olhos ficam úmidos porque
é tão injusto que ele tenha que lidar com isso. Por que alguém tem que lidar
com algo assim? Por que uma pessoa bonita que não quer prejudicar ninguém sente
impulsos químicos para ferir a si mesmo? Sentir que a vida não vale nada? Que
ele é inútil? E pensar que pode preferir morrer?
Ele não precisa me dizer. Eu estive lá. Mas estive lá apenas uma vez. Ele está
lá com tanta
frequência, e não importa quantas vezes volte para cima, ele sempre vai ter
certeza de que no futuro será arrastado para baixo de novo. Ele é um lutador.
Carinhosamente, traço minha língua sobre os sulcos do seu abdômen, seus braços
musculosos, seu pescoço, na costura dos lábios.
Ele se vira.
– O que estou fazendo, Ana? – pergunta.
Eu endureço ao ouvir seu tom de voz vazio.
– Eu acho que posso ser um pai? Que eu poderia até ser um marido pra você?
Ele se vira com um estranho ruído de dor e enterra o som no travesseiro, seus
músculos inchando quando desliza os braços sob o travesseiro para prendê-lo em
seu rosto.
– Chris – digo, forçando a minha voz a parar de tremer e a dor dentro de mim a
se calar. Foda. – Eu não me importo com o que a sua mente está lhe dizendo, em
como ela está fazendo o seu corpo se sentir... Você sabe, Chris. Você é
bom, nobre e merece isso. Você quer isso.
Deslizo meu braço em volta de sua cintura e pressiono
para mais perto.
– Eu mereço ser jogado fora.
As lágrimas que haviam se formado poucos momentos atrás deslizam para fora das
minhas
pálpebras.
– Não, não, não, você não merece isso.
Ele se desloca para longe de mim, mas não deixo. Prendo meus braços ao redor
dos ombros para impedi-lo de rolar para mais longe, e corro meus dedos pelos
cabelos.
– Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo como a porra de uma doida
lunática. Se você é uma bagunça, eu quero ser uma bagunça com você. Deixe-me
tocar você, não se afaste – sussurro.
Ele geme e vira o rosto para mim, e quando o toco, ele estremece. Mas toco seu
braço, o A em seu bíceps, as tatuagens celtas. Os ruídos que ele faz, como um
verdadeiro leão, como um leão ferido, me fazem sentir tão desesperada e feroz
como uma leoa tentando atrair de volta o interesse de seu companheiro.
Quando ele está maníaco, algumas vezes eu pensei que era difícil, porque ele
fica uma bola de
energia, e por isso difícil de controlar. Mas nada é tão difícil como agora,
quando o meu lutador está lá embaixo, no escuro, quando ele não quer fazer
nada. Quando sente que não vale a pena.
Levando os dedos do queixo e para cima, arranho minhas unhas em seu couro
cabeludo de uma maneira que eu sei que ele gosta, e ele me deixa, mas não abre
os olhos, só faz esses ruídos baixos, rosnados sombrios.
– Não me deixe, pimentinha – ele fuça em mim, quase como se estivesse com dor.
– Por favor,
nunca me deixe.
– Nunca, Christian – prometo, apertando meus braços. – Nunca.
– Eu te amo – rosna com raiva. – Eu não mereço, mas estou muito apaixonado por
você.
– Merece sim, sou aquela que quer provar pra você que eu o mereço. Você quer
ouvir música? – pergunto.
Quando ele assente brevemente, pego seu iPod e coloco um fone de ouvido nele e
um em mim, e toco “I Choose You”, de Sara Bareilles.
Ele ouve a música enquanto o abraço e o acaricio, exatamente como ele faz
comigo e quero que ele sinta exatamente como o seu carinho me faz sentir. Quero
que ele se sinta amado, protegido, compreendido e nutrido. Por isso tento o meu
melhor... Sei que as minhas mãos não são tão grandes quanto as dele, e
que a minha língua é menor... Mas sei que ele gosta do meu toque, e
gosta da minha língua nele...
Assim, “I Choose You” fala sobre Ana o escolhendo... E de como ele
está se tornando meu e eu
estou me tornando sua...
Sussurro em seu ouvido:
– Chris, sempre escolherei você. Desde o primeiro dia que te vi, eu amei o que
vi e todos os dias eu amo mais. E eu amo o que eu toco, o homem que seguro bem
aqui, agora. – Pressiono a minha barriga contra a base de suas costas.
Estou grávida, sem dúvida, e agora essa é uma manobra difícil de ajustar, mas
quero mesmo
segurá-lo o mais próximo que puder.
Subitamente, ele se vira. Seus braços passam em torno de mim e ele descansa a
testa entre os meus seios, me segurando. Eu sinto a sua necessidade. Escura,
perigosa, devoradora. Beijo o topo de sua cabeça com meus lábios e relaxo em
seu aperto, para que ele saiba que gosto de estar aqui.
Ele geme na minha pele, de repente, e seus músculos ondulam quando desliza os
braços em volta de mim.
– Sou tão egoísta quando se trata de você. Deveria deixá-la sair daqui. Mas não
sou bom assim.
Mesmo quando diz isso, ele aperta seu braço sobre mim, como se não pudesse
suportar mais um segundo sem a minha presença.
Algo se aperta em minha alma. Não quero que Chris se sinta mimado ou ache que
tenho pena dele, por isso ajusto meu travesseiro como se tudo estivesse bem e o
seguro, sussurrando:
– Não quero ir a lugar nenhum, prefiro ficar aqui com você.
Ele olha para mim e meu coração se move apenas para sentir os olhos dele. E o
coração bate mais depressa quando ele se aproxima de meu corpo. Deslizando os
dedos em meu cabelo, o olhar não me deixando em nenhum momento. Os olhos de Chris
nunca foram tão sombrios assim, parecendo assombrado, mas na escuridão da íris,
ainda o vejo. Aquele fogo que ele é. Essa motivação, essa intensidade à
espreita, no fundo, como um tigre. Suas mãos descem pela minha coluna, então se
arrastam na minha frente e passam por meus mamilos duros e sensíveis, para
descansar sua cabeça na minha e espalhar a mão aberta na minha barriga.
– Prometa-me que vai estar sempre comigo – exige bruscamente.
O caçador nele ainda está lá. O leão. O instinto cru que ele é. Ele me prende
na cama com um
olhar interrogativo que quase se parece com um comando. Sim, seus olhos são
escuros e sombrios, mas as íris ainda estão vivas e com fome. Fome de meu
afeto, percebo. Para mim.
– Sim, Chris – digo, sem um pingo de dúvida, nem na minha voz, nem em mim. –
Prometo. Não quero nada mais do que estar com você. E não me chame de
masoquista, porque você é meu tudo. Minha aventura e minha verdade, em um só
pacote sexy e ciumento e bonito que me deixa ridiculamente feliz. Alayna pode
ter se transformado em uma viciada, e agora percebo que não sou diferente.
Estou viciada em você. Você é o meu crack, e também é meu único fornecedor.
Ele fecha os olhos e expira, como se minhas palavras fossem uma espécie de
elixir.
– Você pode não querer estar com você mesmo agora,
mas eu quero ficar aqui – digo a ele. –
Deixei a minha vida inteira só para vir ficar com você. Só você. E eu não tinha
uma vida ruim, como sabe – acaricio o cabelo dele. – Tinha meu apartamento
alugado, pais bons e carinhosos, amigos legais, e eu poderia conseguir um
emprego na minha nova carreira. Deixei tudo isso. Deixei os meus sonhos pra
trás para que pudesse perseguir os seus, e a você. Como uma dessas fãs idiotas
– dei uma risada.
Chris levanta seu corpo sólido e se senta na cama, puxa minha cabeça para trás
e sufoca meu riso com sua boca.
– Você não é uma fã idiota – sussurra ele dentro de mim, sugando minha resposta
antes de
acrescentar: – Você é minha mulher, e você é boa pra caralho pra mim.
Tremo quando ele me puxa para baixo e sob ele, e gemo e toco cada pedaço de sua
pele que
alcanço.
– E você é meu homem e é muito bom e precioso para qualquer um, mas você ainda
é meu.
Homem. Meu.
Ele rosna e rola em cima de mim para que a ereção fique entre as minhas pernas,
seu olhar
atormentado agarrado à minha esperança quando empurra uma das minhas pernas ao
redor de seus quadris. Então, me agarra pelo joelho e faz o mesmo com a outra
perna.
– Eu te amo – digo sem fôlego.
Achei que já tinha dito isso muitas vezes, mas Chris precisa que eu o diga bem
agora, pelo modo como suas feições ficam mais cruas quando escuta; e isso faz
minhas entranhas borbulharem com a necessidade de dizê-lo novamente.
– Mais uma vez – ele rosna.
Levantando minha cabeça, repito a frase a cada beijo que deposito no rosto.
Decido que vou dizê-lo que até que ele se canse, e demora muito tempo até Chris
tomar minha boca para me acalmar.
Pelo menos sessenta e quatro beijos.
Ele me penetra no beijo treze. Move-se em mim, empurrando profundamente a cada
vez que digo “Eu te amo”, assumindo minha declaração com um golpe, exigindo-a
de mim, “De novo”, como se a única maneira de ele achar que o amo fosse
forçando isso de mim.
– Eu te amo – gemo depois da estocada seguinte, e ele fecha os olhos e sinto
que ele suga
desesperadamente a minha ternura.
Tento segurar meu orgasmo enquanto prendo os ombros dele, dizendo “Eu te amo,
eu te amo”, mas ele é gostoso, é lindo, precisa de mim e eu preciso dele. Chris
me leva ao êxtase mesmo quando luto contra isso, e gozo totalmente no “Eu te
amo” sessenta e dois, e ele para de dizer “De novo” só para que me possa
assistir chegar ao clímax.
Os olhos de meu homem parecem ainda mais vorazes quando
gozo, como se todos os meus “Eu te amo” só acendessem mais a sua fome, sua sede
insaciável. E quando ele começa a gozar dentro de mim, fica me observando como
se ainda não me acreditasse, porque não acredita que possa ser uma pessoa
amável. Assim, quando esmaga a minha boca com a dele e enfia a língua dentro,
forte e áspera, eu o agarro e o beijo ainda mais forte.
Ele sussurra meu nome como uma prece e treme dentro de mim, os músculos se
contraindo. Agarra meus quadris para que eu fique parada, mas eu balanço,
persuadindo-o a vir mais fundo em mim, prolongando seu orgasmo. Ele geme
baixinho e suga minha língua, e eu enrolo minhas pernas mais apertadas,
prendendo-as na base de suas costas, meus braços apertados ao redor dele
enquanto ele solta, e quando seus músculos param de flexionar e de ondular,
continuo presa a ele, para que ele não possa se livrar de mim. Chris me poupa
de seu peso quando cede, e eu gozo junto com ele, enredada, enterrando meu
rosto em seu pescoço à medida que ele rola para o lado. Ele ainda está em mim,
e não quero que ele saia.
– Não tire – gemo.
Ele sai quando me vira, então manobra para trás e começa a me lamber, uma mão
espalmada em meu peito, a outra sobre a minha barriga. Gemo de novo e acho que
quero chorar de felicidade, porque o meu leão está de volta. Pelo menos ele se
preocupa o suficiente sobre alguma coisa. Sobre nós.
Como o bebê e eu me preocupamos com ele também.
Mais tarde, ele toca uma canção para mim chamada “Hold Me Now”, de Red, e
percebo que está me pedindo para segurá-lo. Então faço isso, virando-me para
ele depois que para de me acariciar, instando-o a colocar o rosto para baixo no
meu peito até que seu grande corpo parece enrolado como se ele estivesse
tentando se encaixar em mim e, mesmo então, sua mão está espalhada possessivamente
sobre o nosso bebê.
* * *
Uma semana se passa.
Afora as poucas horas que Christian se obriga a ir treinar, ele fica em nosso
quarto, e parece não me querer fora de sua vista. Ele não fala muito comigo,
mas mantém um braço em volta de mim como um torno, e quer que eu o alimente e
transe com ele o tempo todo. Tento mantê-lo interessado na vida, então lhe
conto sobre as pequenas coisas que sou capaz de vislumbrar quando saio do
quarto para nos trazer comida. Digo a ele que peguei Gail e o treinador se
beijando outro dia. Conto que Kate está trabalhando duro para encontrar padrões
para o quarto do nosso bebê, e que Taylor parece triste com Alayna. Ele gosta
de ouvir, sei que gosta.
As finais se aproximam e Christian ainda não
conseguiu subir ao ringue em nenhuma das últimas noites. Ele caiu para segundo
lugar, atrás de Scorpion. Poderia ter caído ainda mais se Scorpion não tivesse
perdido umas duas lutas, ele está lutando entupido de drogas, de acordo com Taylor,
e não tem sido tão cortante como de costume. E pensar que Alayna anda com
aquele idiota me deixa doente de preocupação. Ela pode estar igualmente drogada
e impotente, mas o pensamento me corrói de tal maneira que não posso mesmo
pensar nisso agora. Tudo que quero é que Christian possa concluir com êxito
esta temporada, que é o sonho dele. Então... Então teremos que pensar em
um meio seguro de levar Alayna de volta para casa, mesmo que eu saiba, aqui
dentro, que os caras andam planejando alguma coisa... Mas isso não
alivia a minha inquietação.
Agora, porém, estamos a três dias da grande luta, e Christian ainda está
completamente em surto.
Hoje ele foi treinar e nem sequer olhou para alguém nos olhos. Eu sei que ele
sente as coisas, coisas ruins. Sei que ele não as expressa, pois estaria perdendo,
e ele nunca vai perder. Exceto quando se perdeu por você, uma vozinha
triste me diz.
Todo mundo tem ficado muito preocupado, e eu me sinto especialmente preocupada
quando Chris me pede para chamar Taylor e Sawyer. Eles batem à porta, cubro o
corpo nu de Chris com o lençol branco, de modo que apenas os braços e costas
musculosas ficam expostos, e os levo para dentro.
– Eles estão aqui – informo.
Sawyer se aproxima primeiro e se ajoelha ao lado da cama.
– Ei, Chris, como está?
– Mal – adverte.
– E aí, o que foi? – pergunta Taylor.
Silêncio.
– Eu quero que vocês me levem... Para o maldito hospital... E me
internem.
Os olhos de Sawyer se arregalam, assim como os de Taylor. Os rapazes olham para
mim por um momento, e Christian repete exatamente o que acabou de dizer.
– Eu quero que vocês me levem... Para o maldito hospital... E me
internem. Pra eu passar pelo
procedimento – acrescenta.
Algo em suas palavras – na forma como os homens hesitam antes de responder –
envia uma nova onda de alarme que desliza por mim.
– Você quer fazer isso de novo – diz Sawyer.
Ele acena com a cabeça contra o travesseiro.
– Agora – salienta firmemente.
Sawyer se vira impotente para Taylor, que depois de um momento pega seu
telefone.
– Primeiro temos que ver quando isso pode ser feito. Deixe-me ligar para o
hospital – diz ele, e
começa a teclar os números e a caminhar para fora do
quarto.
– Isso vai te animar, cara – diz Sawyer enquanto se levanta e dá um tapinha nas
costas de Christian.
Christian o agarra pelo pulso e o puxa para perto quando ele se senta na cama:
– Não me trate com essa porra de condescendência. Apenas me leve até lá e não
se atreva a deixá-la ver – diz, rangendo os dentes.
Minhas sobrancelhas se agitam para cima quando percebo que Christian acha que
não estou no
quarto, e os olhos de Sawyer se movem momentaneamente para meu lado, um sinal
para não deixar transparecer que eu ouvi. Mas não, nunca mais mentirei para Christian,
por isso dou um passo à frente.
– Quero ficar com você. Se você for se medicar ou fazer qualquer outra coisa. Eu
quero estar lá e vou estar lá.
Ele se endireita com o som da minha voz, mas primeiro olha para Sawyer.
– Sawyer... – adverte.
Sawyer afrouxa a gravata quando Chris balança a cabeça para olhar para mim.
– Você fica aqui e logo eu estarei de volta.
Ele fala com a voz rouca, mas com cuidado óbvio, usando um tom completamente
diferente comigo do que aquele que tinha utilizado com os homens.
– Não mesmo. – Dou o contra teimosamente, porque, sério, não vou aceitar isso.
Os três estão agindo como se eu fosse um botão de rosa fraco e incompetente!
Chris estreita os olhos e trava sua mandíbula diante de minha teimosia, e eu
levanto minhas
sobrancelhas e cruzo meus braços.
– Vou onde quer que você vá, entendeu? Seja o que for, não é grande coisa –
insisto.
Ele continua sustentando meu olhar, um músculo trabalhando na parte de trás de
sua mandíbula.
– Não é grande coisa – asseguro, blefando com tudo que eu tenho.
Mas não vou deixá-lo fora da minha vista.
LPA Capítulo 54
Capítulo 54
AUSTIN É UM
TURBILHÃO
Ana
Um grupo de cervos salta em toda a área
verde por trás dos jardins que se alastram pela casa
alugada em Austin. Eu os aponto e digo:
– Veja!
Mas Chris apenas solta uns grunhidos, um pouco ocupado em lançar um pneu
gigantesco de trator para longe, e uma vez mais.
Está tão quente aqui no Texas que o suor escorre pelo meu pescoço e mergulha em
meu decote.
Apertando os olhos no sol da tarde, pergunto a Chris e ao treinador se eles
querem alguma coisa de dentro da casa, e o treinador balança a cabeça, enquanto
Chris grunhe e começa a girar o pneu na direção oposta.
– Estamos quase terminando. – O treinador me deixa saber.
Concordo com a cabeça e levanto dois dedos – o que significa que levarei dois
minutos para fazer a minha quinta viagem para a casa atrás de uma limonada.
Dentro da casa, vejo Sawyer na borda da sala, tão parado que quase não o
enxergo. Suas mãos estão enfiadas nos bolsos do terno e ele está olhando para a
porta da frente com uma enorme tristeza. Meu corpo entra direto para o modo de
alerta, um pouco de frio se instala no núcleo profundo dentro da minha barriga.
– Os pais dele – digo com nojo.
Os pais dele. Dois espécimes de pessoas que não merecem um pênis e ovários, e
muito menos ser autorizados a produzir algo tão magnífico como Christian!
Criá-lo? Oh, não. Aqueles idiotas apenas pegaram seu menino, largaram em uma
instituição de saúde mental e nunca mais voltaram.
Com os lábios apertados, Sawyer me faz um gesto afirmativo de cabeça.
– Taylor está cuidando disso.
Enrolando meus braços em volta da minha barriga por puro instinto protetor, meu
olhar cai sobre a porta da frente, juntamente com o dele.
– Por que eles continuam incomodando? Será que eles querem fazer as pazes?
– Ana! – Sawyer quase engasga com o meu nome, sua risada uma das mais sem graça
que já ouvi alguém
dar. – Eles são idiotas. Passamos por isso dezenas de vezes e eles sabem que Christian
vai fazê-los ir embora com um cheque bem gordo.
Uma raiva poderosa toma conta de mim quando penso no modo como Chris fica
inquieto toda vez que chegamos perto de sua cidade natal. Na última temporada,
seus pais o procuraram de novo e receberam um cheque com a assinatura do filho.
– Eles não merecem nada dele, nada! – sussurro.
Antes que eu mesma perceba, já estou atravessando a sala.
– Ana! Deixe que o Taylor os afaste – propõe Sawyer.
Mas em vez de fazer isso, abro a porta e lá estão eles, na varanda, todos na
boa. O homem... Ele é grande como uma montanha, e envelheceu bem. Juro
que quase dói ver a semelhança de Chris com ele. Olhos do mesmo tom azul
elétrico como os de Christian caem imediatamente em mim, mas a expressão nestes
olhos é em todo diferente. A vida e vitalidade, a motivação e a força que vejo
nos olhos de Christian estão completamente ausentes em seu pai.
E sua mãe? Enquanto ela me examina com um olhar crítico, eu a examino de volta
e com esse
vestido pequeno de dona de casa, ela parece pequena, calma e doce, o que só faz
mais avassaladora minha confusão.
Estas são pessoas para quem eu poderia sorrir em um elevador, ou passando por
elas na rua. Eles parecem bons e carinhosos, mas como poderiam? Como podem ter
abandonado Chris e depois ter a ousadia de vir bater à sua porta, e outra vez,
como se fosse o seu direito?
O simples pensamento de abandonar este pequeno bebê que tenho dentro de mim me
repugna, e ainda não consigo entender por que alguém faria isso com seu próprio
filho.
– Vocês o deixaram sozinho a vida toda, por que não podem deixá-lo sozinho
agora? – pergunto carrancuda.
Os dois me olham genuinamente horrorizados com a minha aparência ou com meu
desabafo ou, muito possivelmente, com ambos.
– Queremos falar com ele – diz a mulher.
Porque é o que ela é, apenas uma mulher. Nunca posso olhar para ela e pensar
nela como sendo a mãe de alguém, em especial de Chris.
– Olhe... Já ouvimos falar sobre o bebê – acrescenta. Os olhos dela
descem para minha barriga e sinto Taylor se aproximar de mim, como se esperando
que a mulher chegasse e tentasse tocar em mim e ele, em nome de Christian,
pretende impedi-la. – Este bebê – a mulher continua, franzindo os lábios em uma
linha fina e apontando para mim – poderia ser como ele. Você percebe?
– Sim – digo, empurrando o queixo para cima. – Eu espero que seja.
– Nosso filho não está em condições de ser pai! – O homem troveja em uma voz
profunda que me assusta. – Ele pode machucar alguém. Ele precisa ser medicado e
contido!
– Oh meu Deus, hipócritas! Vocês querem falar sobre
como é ser bons pais? – pergunto, tão
ultrajada que meus pulmões nem trabalham direito agora. – Seu filho cresceu e
se tornou um homem nobre e honrado, apesar do que ele teve que lidar, enquanto
vocês abandonaram o seu único filho! Vocês pegaram a infância dele e o atiraram
para longe, e ainda querem vir até aqui pra dizer a ele como viver o resto de
sua vida?
– Nosso filho está doente! Queremos que ele seja tratado e medicado numa
instituição psiquiátrica periodicamente para a certificação de que está calmo e
sereno, como uma pessoa normal – diz a mulher.
– Não! Vocês é que precisam fazer isso! Pelo menos ele sabe qual é o problema
dele, mas acho
que vocês devem descobrir o seu.
A porta atrás de nós se abre, e Sawyer sai com o olhar mais feroz que eu já o
vi usar.
– Vocês perderam um ser humano incrível – diz Sawyer, e eles parecem tão
chocados com a sua calma e suas palavras ameaçadoras que acho que esta é a
primeira vez que ele saiu para
cumprimentá-los também. – Como seus pais, vocês deveriam ter cuidado dele. E
nós não sentimos por ele, realmente, porque ele cresceu e prosperou. Mas
sentimos muito por vocês.
– Nós somos a família dele – bufa a mãe de Chris.
– Vocês eram a família dele – corrige Taylor quando se aproxima mais de mim. –
Ele é nosso agora. E esta é a última vez que irei lhes pedir pra ir embora. Da
próxima vez que vierem aqui sem ser chamados, vou avisar as autoridades.
O homem olha para mim, e isso é tão estranho, os olhos tão parecidos com Chris,
mas olhando
para mim com tal desprezo frio, o contrário do calor do filho.
– Você deve ter uma cabeça fraca pra deixar meu filho pegar você desse jeito –
diz ele, apontando para minha barriga.
De repente, sou puxada de volta para uma parede musculosa. Minha respiração se
enrola na minha garganta quando uma mão protetora se abre sobre minha barriga e
o som da voz de Christian por cima da minha cabeça faz todos os pelinhos em
meus braços ficar em pé.
– Cheguem perto dela ou de qualquer coisa minha de novo, e vou mostrar-lhes num
piscar de olhos o quão perigoso eu sou – diz ele em um tom monótono, ainda mais
predatório por sua tranquilidade.
A energia volátil que emana de seu corpo musculoso faz meu pulso acelerar na
expectativa da
resposta de seu pai. Nenhum deles parece capaz de manter o olhar de Christian
por muito tempo.
Com os lábios franzidos e apertados, o homem agarra a mulher e arrasta-a para
baixo da entrada de carros em direção ao carro pequeno no meio-fio.
Minhas pernas estão tremendo, a maioria do meu peso descansando contra ele
quando Chris aperta meus quadris e murmura:
– Entre. Vamos para dentro.
Christian pega uma garrafa de água da cozinha e a despeja sobre a cabeça. Ele
ainda está usando as roupas de treino, os músculos brilhando. Ele sacode o
cabelo molhado, então cai em um dos sofás da sala de estar e lança a garrafa
vazia no chão, observando-a girar com raiva. Seus cotovelos estão nos joelhos,
os ombros largos estão tensos, e sua cabeça escura está dobrada enquanto olha
para nada, a não ser a garrafa girando, mais e mais.
– Não acho que seus pais concordaram com sua escolha de mulher, Chris.
Sawyer é o primeiro a falar. Sei que ele está tentando deixar o que aconteceu
mais leve, mas
ninguém ri. A tensão no ar é tão espessa que se poderia cortá-la com um
machado.
Christian levanta a cabeça e me olha de cima a baixo com seus olhos azuis.
– Se eles chegarem perto de você, quero ser o primeiro a saber. Entendeu,
pimentinha?
A feroz proteção embutida em seu olhar faz uma sensação igualmente protetora
prender-se com firmeza em minhas entranhas.
– Eles não estavam atrás de mim, estavam procurando por você.
– Não quero essas pessoas perto de você. Nem perto de nossos filhos – diz ele
com raiva.
Meu coração torce no peito. Ele disse “filhos”, no plural? Quero sorrir e
abraçá-lo, mas o olhar
nele... É primitivo em sua dor.
– Já acabou? – pergunto alegremente, apontando lá fora, onde ele estava
treinando.
Ele assente lentamente, o rosto contraído enquanto vê que me aproximo.
Chris está emburrado, sua raiva palpável no ar. Ele usa uma expressão estranha,
como se estivesse tentando se recompor. A cada segundo, seu maxilar se move,
abrindo e fechando. Odeio que ele tenha tido que ficar cara a cara com seus
pais, mas uma vez mais, provou que vai fazer de tudo para me proteger.
Meu coração parece estar tanto machucado quanto inchado quando me acomodo ao
seu lado e
trago o braço mais próximo a mim, imediatamente pegando o pulso grosso e
começando a trabalhar nele.
– Não posso acreditar que dois idiotas como eles criaram algo tão maravilhoso
como você –
sussurro baixinho.
Taylor silenciosamente vai para a cozinha e Sawyer dirige-se para o gramado
para ajudar o treinador a guardar tudo.
Seus passos desaparecem, e tudo ao nosso redor fica em silêncio quando Christian
olha para
mim. Sua voz carrega aquela calma mortal que adquire quando ele está muito
ocupado lutando contra alguma coisa dentro de si.
– Eles estão certos, pimentinha.
Sinto como se tivesse sido golpeada com um taco de beisebol direto no meu
peito.
Respirando fundo, ele me olha ferozmente.
– Ana, eu não desejaria um pai como eu pra prole do Scorpion, muito menos pra
nossa.
Não. Não é um taco de beisebol. Acho que um trem me atropelou. A dor percorre o
meu corpo e deixo seu braço cair.
– Por favor, não diga isso. Por favor, não pense outra coisa senão que você
será o melhor pai do mundo.
Chris fecha a mandíbula e posso dizer que ele suaviza sua voz por minha causa.
– Ele pode ser como eu.
– Como você? O que isso quer dizer? – respondo ferozmente, segurando minha
barriga. – Bonito por dentro e por fora? Com mais força de vontade do que
qualquer um que já conheci. Hercúleo, generoso, amável...
Ele parece tão atormentado que seguro sua mandíbula e o forço a olhar para
mim.
– Você é a melhor coisa que já me aconteceu. Você é humano, Chris, e real, e eu
não teria você de outra maneira. Queremos isso. Queremos uma família juntos.
Nós merecemos isso como qualquer outra pessoa.
De mandíbula fechada, Chris range os dentes.
– Pimentinha, querer isso não significa que está certo. Eu sou inútil para
qualquer outra coisa que não seja lutar.
– Não, não é. Você é um grande lutador, mas não é isso que faz VOCÊ ser quem é.
Chris, não vê como é uma pessoa inspiradora? Você é honesto, motivado,
apaixonado, feroz e doce. Você protege e sustenta sem qualquer expectativa. Eu
nunca ouvi você julgar as pessoas, criticar. Vive a sua vida por suas próprias
regras e faz o seu melhor para proteger aqueles que o cercam. E ama ainda com mais
intensidade do que luta, e nunca vi ninguém lutar como você. Ninguém o ensinou
a ser como é, isso é inato. Seja de qualquer forma ou maneira que surja, você é
o único pai que eu iria querer para meus filhos, e o único homem que sempre
amarei. Por favor, esqueça aqueles dois. Eles apenas o fizeram biologicamente,
mas não fizeram você ser quem é!
Ele absorve as minhas palavras, e enquanto pensa sobre elas, agarro a parte de
trás de sua cabeça e puxo para baixo para que eu possa beijar aqueles belos
lábios e impedi-los de dizer qualquer coisa mais dolorosa sobre Chris.
Sua boca, difícil no começo, amacia sob minha pressão, até que eu sinta a
tensão nele se esvaindo conforme sua língua me procura e murmura contra os meus
lábios:
– Você está cega porque é minha.
– Ao contrário, eu vejo você porque sou sua.
Chris se afasta para buscar a minha expressão, o olhar brilhando tão protetor
em mim, sei que ele vai fazer de tudo para me proteger e a nosso bebê.
– Eles não concordam com a minha escolha. Você está bem com isso? –pergunta.
Deus, estou bem com qualquer coisa que ele fizer, de tanto que confio, respeito
e amo esse homem.
Sei que ele está perguntando sobre a sua escolha de usar meios naturais para o
controle de sua condição. Provavelmente custa o dobro do esforço que ele
levaria para se medicar; é preciso disciplina e um estilo de vida inteiramente
dedicado ao seu bem-estar, e, francamente, não é como se ele estivesse
estabelecendo uma posição política sobre o problema. É a vida dele e ele está
tentando vivê-la, e quero viver a minha com ele. Todo mundo que já ficou doente
ou já usou medicação por longo prazo sabe que quando você corrige uma coisa
quimicamente em seu corpo, você desiste de outra. Olhe para a lista de efeitos
colaterais. Não há pílula mágica para a saúde.
Somos uma obra constante, sempre em andamento, e a saúde não é um lugar
estático. É uma meta que está sempre em movimento e precisa ser perseguida,
diariamente, e para sempre. Christian vai sempre lutar essa luta... E
sempre vou lutar com ele.
– Sim, concordo com a sua escolha, Chris – digo, sustentando seu olhar, então
ele sabe que quero dizer exatamente isso.
O sorriso que aparece em seu rosto é oh, tão suave.
– Nós vamos ter um pequeno alguém que depende de nós. Você tem que me dizer se
isso é muito pra você, Ana.
– Eu lhe informarei – concordo.
Ele pega minha mão na sua mão enorme e nós dois ficamos observando nossas mãos
enquanto
entrelaçamos os dedos.
– Então me dê sua palavra de que vai me contar se eu ficar fora de controle e
que você gostaria que eu fosse me medicar, e dou-lhe a minha palavra de que
irei fazer isso no instante em que você me pedir.
– Dou a minha palavra, Christian – digo, apertando a mão dele.
– E eu lhe dou a minha. – Ele me puxa para mais perto e me envolve em seus
braços, e eu deslizo para dentro, absorvendo seu abraço forte, protetor, ao
mesmo tempo que meu homem espalha seus dedos na minha barriga redonda e abaixa
a cabeça sobre o meu ombro para olhar. – Vou proteger você até morrer –
sussurra contra meu ouvido: – Nada nunca vai machucar as duas. Se ela for como eu,
vou apoiá-la como eles nunca fizeram. Vou mostrar a ela que pode crescer e
frutificar. Que ela é uma pessoa que vale a pena.
Estou completamente derretida quando viro minha cabeça para enterrar meu nariz
no peito suado, não querendo estar em outro
lugar.
– Sim, mas vai ser um ele. E ele tem isso. Assim como você.
LPA Capítulo 53
Capítulo 53
AUSTIN AGUARDA
Ana
– Então, as manchetes todas anunciam
que a namorada de Arrebentador está grávida – diz Taylor enquanto voamos para
Austin.
Agora Prescott voa com a gente também, e hoje ela se senta com Taylor, Sawyer,
e Christian em uma das seções de sala de estar, enquanto o treinador está no
banco e Gail e eu ocupamos a outra seção de assentos. Chris e os homens parecem
estar discutindo a minha segurança para as duas lutas em Austin. Aparentemente,
estamos nos aproximando das semifinais, então Scorpion estará agora lutando nas
mesmas noites que Christian.
Uma parte de mim está ansiosa para ver se vamos topar com Alayna nas lutas,
enquanto a outra parte de mim teme o resultado de tal encontro.
Chris está em seu modo rude e superprotetor. O fato de que seus pais vivem em
Austin e que ele vendeu a casa onde costumávamos ficar sem dúvida o aborrece. Taylor
alugou outra casa para nos manter longe da mídia, mas Christian não se acalmou.
Sei que ele não gosta da ideia de eu estar no mesmo estado em que está
Scorpion, e muito menos no mesmo código postal.
Enquanto mostro a Gail as fotos enviadas por Kate do esquema de cores para o
quarto do
bebê, ouço a voz de Christian, baixa, como se ele não quisesse que eu
escutasse, mas ainda
autoritária.
– Qualquer um que se aproxime dela ou sequer olhe pra ela de forma errada,
vocês tratem de
cuidar dele imediatamente.
Com o canto do olho, vejo como Taylor acena sombriamente e coloca a mão na
gravata preta.
– Não se preocupe, Chris, vou protegê-la como se ela fosse minha.
– Ela não é sua, seu merda. Ela é minha.
– Senhor Grey – Prescott exclama – estarei atenta e me certificando de que ela
não seja de forma alguma ameaçada ou incomodada.
– Realmente amo esse esquema azul e verde – Gail me diz, me desligando da
conversa do outro lado do avião.
Voltando para as imagens, comento tristemente:
– Queria que aquela coisa do anel tivesse funcionado.
O Christian não quer saber, e eu não quero saber de um médico e comentar
acidentalmente com ele.
– Ei! – Sawyer grita da outra seção. – Vocês já escolheram o nome?
Os ombros de Christian estão curvados enquanto se inclina e estuda algo que Taylor
está mostrando a ele em seu telefone, e não acho que esteja me ouvindo, mas eu
continuo falando:
– Se for um menino, ainda não consegui pensar em nada. Mas tenho o nome
perfeito, se for uma menina.
– Sério? E qual é? – Sawyer fala, recostando-se em seus braços, curioso.
– Iris – digo baixinho.
Christian se volta instantaneamente para olhar para mim, e a intimidade do seu
olhar me queima por dentro como uma onda de luxúria e de amor que me atravessa.
– Gosto de Iris – diz ele com a voz rouca, assentindo com aprovação.
É preciso muito mais esforço de Taylor para fazer Chris se concentrar novamente
no que lhe estava mostrando ao telefone, porque Christian continua olhando para
mim do outro lado do avião. Não consigo me concentrar no que diz Gail também,
porque também fico olhando para ele.
Só me parece errado ter todos esses assentos entre nós, meu iPod escondido na
minha bolsa, e meu homem tão longe.
Ele se inclina para trás em seu assento, tanto quanto possível, e estica o braço
através do avião, abrindo sua mão enorme. Conecto meus dedos com os dele, e
então tudo parece melhor de novo. Ele continua checando as coisas de Taylor, e
eu continuo conversando com Gail sobre as coisas do bebê, sua mão segurando a
minha do outro lado do corredor.
* * *
Enquanto Taylor e eu nos acomodamos na arena de Austin, tenho a infelicidade de
ver dois dos
capangas de Scorpion nos observando do outro lado do ringue. Pisco de surpresa
e verifico
imediatamente a multidão para achar Alayna.
Não posso encontrá-la em qualquer lugar, e quando a minha atenção flutua de
volta para os dois asseclas, acho que a atenção deles ainda está sobre nós.
Um dos caras tem a cabeça raspada, e o outro usa com orgulho uma tatuagem de
Scorpion em sua maçã do rosto, assim como seu chefe costumava fazer antes de Christian
arrancá-la fora quando foi atrás de Alayna.
Alayna...
O pensamento dela confraternizando com Scorpion e seus asseclas me faz
muito infeliz, e o
pensamento, infelizmente, também vem com a sensação de mil pernas rastejando na
minha pele. Estou dividida entre os vários
impulsos: vomitar, fugir, e marchar sobre esses bandidos e exigir saber onde minha
irmã está. Parece que sou como uma bússola enlouquecida e não sei o que fazer,
para onde apontar ou como reagir, por isso fico sentada aqui, assistindo a eles
dois e me sentindo como um bebê, mesmo com Taylor sentado a meu lado e armado
até os dentes com seus pequenos apetrechos.
Quando os dois homens lentamente se levantam e fazem seu caminho em torno do
ringue, a
percepção de que eles estão vindo direto para nós faz meus pulmões se
contraírem. Meu coração começa a bater ferozmente na minha caixa torácica
enquanto minhas entranhas rebeladas desabam em completo pavor.
Tenso em sua cadeira de plástico, Taylor sussurra:
– Eles provavelmente devem assistir à luta de Scorpion mais tarde, ou estão
seguindo Christian.
Checando como ele está lutando, se há alguma lesão visível. Por favor, pelo
amor de Deus, não faça nada, o melhor é ignorá-los.
Assisto ao par de brutamontes parar diante de nós com um afundamento na boca do
estômago.
– Não se mova, Ana – Taylor adverte baixinho.
Ferozmente consciente do bebê de quase seis meses em minha barriga redonda,
forço os olhos a olhar para o chão de cimento, ao mesmo tempo que os meus vasos
sanguíneos se dilatam dentro de mim. Minhas pernas tremem enquanto enrolo
minhas mãos protetoramente em torno do nosso bebê, cujo coração nós já ouvimos
e que eu quero que fique bem longe desses homens o máximo possível.
Mas estes são os dois idiotas que tentaram provocar Christian para brigar em
uma boate na
última temporada, e fingir que não os vejo quando posso inclusive sentir o seu
fedor, vai contra todos os meus instintos para chutar seus sacos e esmagar as
bolas lá dentro.
– Não é a cadela do Chris? Olá, quer nos dar um beijinho? – Um deles zomba.
A raiva e a impotência se acumulam bem dentro de mim, enquanto as fileiras de
assentos começam a encher em torno de nós, e eu me forço a manter meus olhos em
seus pés e espero que eles desapareçam, ou que Taylor vá finalmente mostrar que
tem colhões e fazer alguma coisa.
– Sugiro que vocês dois caiam fora – diz Taylor calmamente.
– Nós não estamos falando com você, magrelo, estamos falando com esta vaca
aqui. Ela não
lembra da boceta ficar toda molhadinha e assanhada como uma foca quando o chefe
obrigou ela a beijar ele? E bem neste instante, a irmãzinha dela está sendo bem
comida pelo chefe na frente de todas as outras meninas!
Minha cabeça se volta para cima enquanto meu corpo se inunda de humilhação.
Balançando no
meu lugar, cerro os dentes e fecho os punhos do lado do corpo enquanto desejo
ter duas garrafas para acertar os crânios desses dois:
– Voltem pro buraco de onde saíram e digam ao seu chefe que o Arrebentador vai
enterrá-lo vivo!
–Ana – Taylor agarra meu cotovelo em alerta enquanto os dois idiotas riem de
mim.
– Você quer mesmo que a gente conte a ele o que você
falou? A mais nova puta de Christian? – O careca cospe no chão, a um centímetro
dos meus pés. – Quer mesmo, cadela?
– Estou avisando pra cair fora – repete Taylor, levantando-se e enfiando a mão
no casaco.
Estou no modo de defesa total, e meu sangue está bombeando quando viro para
fora o meu dedo do meio para eles.
– Quero. Diga a ele pra se foder e que ele logo vai se arrepender de não deixar
minha irmã em
paz.
De repente, Prescott pega os caras pelas costas de suas camisas, sua voz
enganosamente calma quando ela pergunta:
– À procura de uma mulher de verdade, senhores?
Taylor me puxa de meu lugar e me arrasta para baixo da fileira, enquanto o meu
coração bombeia com tal violência que mal posso respirar.
– O que foi aquilo? – Taylor me gira o corpo, seus olhos em chamas em
indignação. – Um pouco de spray de pimenta no meu bolso faz você ficar toda
briguenta?
– Taylor, você é uma florzinha. Então, por que não usou? Eles estavam
respirando no nosso pescoço!
– Ana, um pouco de sutileza, por favor! Você não pode provocar esses sujeitos!
Se eles
voltarem quando Christian estiver lutando e ele ver que eles estão a dois
metros de sua cadeira, ele vai sair do ringue e ser desclassificado, e esta é a
última merda de que precisamos... – Taylor para de falar, respira fundo
e faz uma carranca para mim. – O que ele te disse pra fazer exatamente agora,
nos vestiários? Hein?
Lembro-me com clareza do pedido de Christian, e instantaneamente a minha voz
cai.
– Pra ficar sentada quieta no meu lugar.
– Bem, então! Ele pode gostar de que você seja uma pimentinha, mas não quero
que você faça isso comigo, e certamente não quero me queimar.
– Taylor, Christian não ia gostar de me ver sentada de cabeça baixa enquanto
aqueles dois palhaços ficavam me ofendendo. E tenho certeza de que ele não
esperaria que eu não fizesse nada.
– Ele não espera que você faça alguma coisa, por isso mesmo me disse pra tentar
manter as coisas sob controle.
– Se ele fosse você, ele teria feito alguma coisa, e se não estivesse grávida,
eu também.
– Eu não sou a porra do Arrebentador, Ana. Olhe pra mim! – Taylor aponta para
si mesmo em seu paletó preto e gravata. – Admito que não estou grávido e que
poderia ter usado um desses
brinquedinhos que eu tenho sobre eles, mas isso iria levantar todos os tipos de
bandeiras vermelhas e quando Chris saísse para o ringue, iria perceber que algo
estava acontecendo ao seu redor e iria abrir mão da luta. Nem sempre tudo se
resume a atacar.
– Taylor, me desculpe, entendi. Vamos sentar, e estou
contente que os dois tenham ido embora – digo, e ambos soltamos a respiração ao
voltarmos aos nossos assentos, mas as minhas mãos ainda estão tremendo com a
adrenalina bombeada em minhas veias.
O salão está repleto de pessoas no momento em que a primeira luta é anunciada
pelos altofalantes.
– Bem-vindos, bem-vindos, senhoras e senhores...
O barulho e a emoção nos rodeiam conforme vemos lutadores indo e vindo. Ver
todo aquele
sangue de novo, os sons de ossos se esmagando contra ossos, me deixa ansiosa de
novo.
Chris... Oh, Deus. Só de pensar que ele poderia topar com Scorpion nos
vestiários meu
nervosismo já vai para o telhado.
Estou inspirando e expirando quando Taylor me diz:
– Você sabe o que é, Ana? Ele me disse que não queria que ninguém ficasse
olhando, então tem razão, ele iria querer que eu os levasse o mais longe
possível daqui. Mas não posso encarar isso de forma literal, estou tentando
manter as coisas calmas por aqui. Por favor, entenda que eu tenho que ser a
cabeça fria aqui.
– Entendo, Taylor, mas você – falo exageradamente – é como uma arma carregada
sem gatilho.
– Estamos em negociações diretas com Scorpion, Ana – ele diz então, em voz
baixa. – A última
coisa que quero é agravar a situação, ou isso só vai custar mais a Christian.
– O quê? – Meus olhos se arregalam. – Você sabe alguma coisa sobre Alayna?
– Só que, desta vez, Christian está cuidando das coisas e você deve ser deixada
completamente
de fora.
Ele franze os lábios de forma significativa e assente, e não posso nem
discutir, porque então
Christian é chamado dos vestiários, seu nome explodindo através dos
alto-falantes e ao redor da multidão.
– Sim, senhor, traga o Arrebentador para essas pessoas! – o locutor grita, e a
multidão ruge
“Arrebentador”.
Meu coração salta uma batida, a minha consciência imediata passa a se
concentrar em um lampejo de vermelho que se aproxima do ringue.
Esta noite de luta é tão significativa. Não só porque ouvimos dizer que
Scorpion foi desclassificado por usar soqueiras em uma luta na noite anterior e
porque Christian está em
primeiro lugar por um monte de pontos de vantagem, mas porque sei que Austin é
o lugar onde ele nasceu, onde ele, em sua cabeça, acredita ter sido rejeitado.
Mas não por esta multidão. Oh, não.
Nunca por esta multidão.
A arena reverbera com gritos sanguinários quando Chris pula para o ringue,
trazendo todas as
cores para este espaço branco e monótono.
– Se ele passar por esta noite sem derrotas, então deixaremos Scorpion muito
atrás. Só boas
notícias – diz Taylor.
Concordo com a cabeça emocionada, meus olhos agora focados em mais nada, a não
ser Chris.
Sawyer e o treinador tomam seus lugares no canto do ringue enquanto Christian
tira o robe
ARREBENTADOR e entrega a eles.
Quando seu oponente é chamado, Chris levanta os braços e sorri para seu
público, então aponta para mim e as pessoas rugem. “Ana, Ana, Ana”, começam a
cantar.
Ele ri, e eu estou de bochechas vermelhas com o conhecimento súbito de que todo
mundo aqui
sabe sobre mim agora. Seus fãs todos sabem que eu sou a namorada grávida do
Arrebentador, de modo que, droga... Aceno como uma idiota e envio a ele
um beijo, e amo o jeito que ele agarra esse beijo e o leva à boca. Acho que
isso é o que as pessoas estavam pedindo quando começaram a gritar Ana,
porque no instante em que seu braço balança para pegar meu beijo no ar e
trazê-lo para si, a multidão vai à loucura, e nós rimos em uníssono.
Um novo lutador entra no canto direito, faltando toda a fanfarra da entrada de
Chris, e a luta
começa.
Christian é especialmente brincalhão com os lutadores mais jovens. Eles parecem
esperar que
ele seja poderoso, mas não tão rápido, e posso ver que isso os deixa malucos.
Ele dá muitas fintas, brinca um pouco e depois os derruba sem piedade – para a
alegria de sua torcida.
Hoje à noite ele passa por doze lutadores e acaba encharcado e ligeiramente
ferido em seu lado esquerdo. Quando voltamos para a casa alugada, Chris começa
a questionar Taylor assim que chega à grande sala de estar que se separa em
dois longos corredores, cada um levando a uma sala separada.
– Tudo bem por lá?
– Hum... Quase.
– Algum olheiro?
– Dois. Os mesmos de sempre.
– Eles olharam pra Ana?
– Er...
Chris gira o corpo, franzindo as sobrancelhas.
– Perguntei se eles olharam pra Ana, caralho!
Taylor olha para mim, depois para ele.
– Eles vieram para falar. Ana mostrou o dedo a eles. Eu lhes disse para ir
embora. Prescott
se aproximou. Puxei Ana de lado.
Chris olha para mim, e agora as sobrancelhas estão levantadas no alto.
– Você mostrou o dedo a eles?
Respondo rápido:
– Você preferia que eu chutasse o saco?
Sua descrença se desloca para Taylor. Muito lentamente, frustrado, ele arrasta
a mão pelos cabelos até a parte de trás do seu pescoço. Em seguida balança a
cabeça e agarra a minha nuca quando me dirige ao nosso salão.
– Vamos discutir isso em nosso quarto – resmunga para mim.
– Boa noite, pessoal – diz Taylor.
Christian para e vira o corpo.
– Nenhum sinal da irmã de Ana?
– Nenhum – responde Taylor, e vejo que a emoção no rosto dele quase me derruba.
Ele e Christian se envolvem em algum tipo de comunicação silenciosa entre
homens, e então é
isso, e nós seguimos em diferentes direções.
Assim que Chris nos leva em nosso quarto, me vejo pressionada contra a porta e
vejo o nariz
enterrado em meu decote quando ele me cheira novamente.
Minha boceta se fecha enquanto ele rosna:
– Por que você mostrou o dedo para aqueles idiotas? – Chris leva a cabeça para
trás e me dá toda a força do seu olhar de olhos azuis. – O que eles disseram?
– De repente eles estavam bem ali na nossa cara, e eu odeio dizer isso, mas Taylor
é como uma arma carregada sem gatilho.
– Ele é agora.
– Foi realmente uma coisa boa ele ter sido capaz de manter a calma hoje, porque
eu não consegui. Fico louca só de pensar que Alayna está lá fora com esses
homens. O que você vai fazer?
Ele balança a cabeça e vai para o chuveiro.
– Você deve ficar fora disso.
Vou atrás dele.
– Você não vai ao menos me contar?
Ele abre a água do chuveiro, e ergue seu mais sombrio olhar até agora sobre
mim.
– Por nós, Ana – sussurra sério, acariciando sua mão ao longo de toda a curva
do meu
abdômen. – Por nós três. Quero ter a sua promessa de que você vai ficar de
fora. E se você quebrar sua promessa pra mim, que Deus me ajude...
– Não! Que Deus me ajude se você se colocar em perigo por causa dela...
Por minha causa... Eu vou...
–O quê? – Ele ergue uma sobrancelha, divertido, então dá um tapinha na
minha bunda com um
sorriso. – Gosto quando você me bate, e gosto de você com raiva também.
– Pois vou ficar muito brava, como você nunca me viu!
– Olho ameaçadoramente para seu peito enquanto ele começa a tirar seu
equipamento de boxe. – Não, Chris. – Alcançando meu homem antes de ele entrar
no chuveiro, pego sua mandíbula e o forço a olhar para mim. – Prometa-me.
Vejo um brilho de diversão em seu olhar quando ele corre um dedo na minha
testa.
– O que eu vou fazer com você, pimentinha?
–Prometa-me – insisto.
– Prometo a você – ele me diz – que a sua irmã estará de volta com vocês muito
em breve, e que esmagarei aquele inseto neste ano.
Ele solta meu queixo e vai para o chuveiro, e não posso explicar o alívio que
sinto. Ele nunca
mentiu para mim. Suas palavras não são tão abundantes, mas carregam esse peso.
Ele está vencendo este ano, e o que quer que esteja negociando, Alayna estará
livre em breve. Um pouco mais aliviada, vou pegar meus óleos. Ele leva
exatamente quatro minutos para se ensaboar, lavar o cabelo e sair com uma
toalha ao redor da cintura, enquanto usa outra para secar o peito.
– Venha até aqui para que eu possa massageá-lo – digo a Chris, e ele me segue
até o banco que costumamos encontrar aos pés da maioria das nossas camas de
hotel. Ele me puxa para seus braços e beija o oco do minha orelha.
– A quem você pertence? – pergunta baixinho.
Derretendo...
– A algum cara de sorte – respondo, pedindo que se sente enquanto luto
contra o desejo de beijar cada centímetro dele.
– Diga- me o nome dele – ordena, assim que se deita para que eu possa esfregar
os músculos.
Ele me observa ajoelhar diante de si e colocar todos os meus materiais nas
proximidades, e usa
uma inclinação devastadoramente sexy nos lábios que é francamente irresistível.
– Por quê? Você gosta do jeito que o nome dele soa em minha voz? – pergunto ao
desenroscar a tampa do meu óleo de arnica.
– Porra, adoro isso, diga o nome dele agora.
Olhos azuis cálidos assistem enquanto derramo o óleo em minhas mãos e começo a
esfregar para que se aqueça, e então deslizo o líquido grudento pelos ombros e
pelo peito.
– Mas ele é complicado – sussurro, enrolando meus dedos em torno de sua
clavícula e na garganta. – Eu o conheço muito bem, e ainda assim... –
Faço uma pausa e esfrego o óleo de arnica por todo o comprimento sólido de um
braço musculoso. – E, ao mesmo tempo, ele continua sendo ainda um mistério. –
Correndo de volta até seu braço e derramando o óleo em seus trapézios, sussurro
em seu ouvido: – Ele se passa por Arrebentador às vezes, mas eu o chamo de Chris.
E sou louca por ele.
Seu peito se move com uma risada, e vejo as pequenas estrelas de alegria
dançando dentro de seus olhos quando ele olha
para minha cara e belisca meu nariz.
– Você é boa para o meu ego, minha Anastasia-linda-e-grávida-Steele.
– Mas não deixe que o ego fique ainda maior – aviso, agora esfregando o óleo
quente ao longo de seus peitorais quando baixo minha voz para dizer-lhe: – Você
é meu.
Sorrindo, deslizo os dedos para baixo ao seu braço, até a palma da mão e então,
impulsivamente, ergo essa mão e beijo os nós dos dedos, olhando naqueles olhos
azuis que brilham com ternura enquanto ele me observa.
– Isto é meu também? – pergunto incerta.
Ele baixa a voz para um tom mais brincalhão enquanto corre a parte de trás de
um dedo ao longo da minha bochecha.
– Depende, pimentinha. Você quer?
– Quero.
– Então é seu, garota.
Tomando a outra mão, repito o que eu fiz com a primeira e beijo os nós dos
dedos.
– E esta?
– Você quer? – Ele levanta as sobrancelhas e alegremente empurra a cabeça na
direção da porta. – Todas aquelas moças lá fora queriam também...
– Mas eu que quero! – protesto.
Ele sorri com indulgência e passa um dedo na minha mandíbula novamente.
– Então ele é seu.
Minha voz engrossa quando puxo para baixo sua calça de moletom para que eu
possa passar óleo nas pernas e coxas poderosas. Eu o vejo em sua cueca branca
sexy, sorrindo, com essas covinhas e o cabelo amassado, e pergunto:
– E vocês? Todos vocês?
À medida que passo minhas mãos oleosas na barriga de tanquinho, levanto a
cabeça para procurar seus lábios. Ele geme quando começo a lamber a costura de
sua boca. Suavemente. Continuo massageando sua carne enquanto movo meus lábios
sobre os dele. Chris é uma máquina de combate e ele é meu, e meus olhos se
fecham brevemente enquanto cuido dele e respiro:
– E você, Christian? Você é meu?
Sua voz grossa faz os bicos de meus seios endurecerem:
– Você me quer?
Deus. Meu adorável homem e menino grande. Um menino com a força de mil homens.
Brincalhão e possessivo. Estou morrendo de necessidade e de amor quando
sussurro:
– Eu quero você – em seu ouvido. – Inteiro. Negro e azul e qualquer outra cor
que vier.
Gemendo, ele puxa minha cabeça para baixo, para os lábios e me beija, forte e
profundamente.
– Vou responder a isso na cama.
Pega a minha mão como se estivesse pronto para ir para a cama, mas eu começo a
rir e puxar para trás.
– Cinco minutos mais!
Ele balança a cabeça.
– Dois.
– Quatro.
– Três, e agora é pegar ou largar, senão vou lhe atirar em cima da cama bem
ali, neste exato
segundo.
– Fechado.
– Fechado, eu lhe atirar na cama? – provoca ele.
– Fechado, mais três minutos! – respondo rindo, acelerando minhas mãos enquanto
esfrego ao
longo de seus peitorais duros. Minha risada desaparece quando os meus
pensamentos se voltam para os homens do Scorpion. – Ela costumava se enfiar na
minha cama à noite, quando tinha pesadelos. Tinha uma imaginação tão vívida,
ela via as coisas, boas e más, onde não havia nada.
– Do que você está falando? – pergunta ele com voz rouca.
– Alayna – respondo, incapaz de esconder a tristeza em minha voz. – Eu só quero
que você saiba por que eu... Não sei, porque eu sempre a protegi. Ela
parecia precisar de mim, e entramos nesses papéis. Ela sempre precisava de
proteção. Mas agora me pergunto se eu não deixá-la resolver seus próprios
problemas, será que nunca vai aprender a lição? Eu sempre quis protegê-la, mas
agora nada vai me fazer arriscar o bebê e você, nem mesmo ela.
Sua expressão é tão gentil e compreensiva, um pequeno nó de emoção acaba no meu
peito.
– Shh. Relaxe – diz ele, acariciando meu cabelo com a mão. – Ele não está
recebendo o
campeonato, ou o prêmio, ou sua irmã. Ele não está ganhando. Eu recebo tudo,
entendeu? Recebo o ouro, o campeonato, a liberdade da sua irmã... E eu
tenho que proteger, e, por favor, eu amo minha namorada.
LPA Capítulo 52
Capítulo 52
COMO DERRUBAR UMA
ÁRVORE
Ana
Christian está absolutamente apaixonado
pela minha barriga de quatro meses de gravidez. Está
começando de fato a aparecer e isso o excita. Não, mais do que o excita. Ela me
excita também, eu amo a minha barriga de grávida! Eu me sinto incrível. Não há
mais a náusea. E eu de alguma forma pareço “brilhar”, mas acho que isso tem a
ver tanto com o bebê que ele colocou em mim quanto com a maneira que Chris faz
amor comigo.
Ele mede minha barriga todas as manhãs com as mãos quando estou estudando meu
corpo no
espelho de corpo inteiro do hotel. O que quer que ele esteja fazendo (saindo do
banho, escovando os dentes), ele vem até mim para me examinar, seu olhar
brilhando com orgulho quando ele olha e tira as medidas. Sua voz está rouca
nesta manhã. Acabamos de levantar da cama e ele está nu atrás de mim, o seu
grande corpo perfeitamente visível no espelho enquanto abaixa a cabeça escura
para me acariciar.
– Você acha que está comendo o suficiente? – sussurra em meu ouvido, logo antes
de me puxar para ele e descer os lábios para o oco na base do meu pescoço.
– Não vou começar a comer como você! – acuso quando me viro em seus braços e
prendo os
dedos na parte de trás do seu pescoço, sorrindo para ele como a tola apaixonada
que ele me fez. De brincadeira, começo a cutucar suas covinhas. – Nós
estabelecemos que você tem problemas. Você só quer que todos saibam que estou
grávida e fui possuída por você.
Ele me levanta fora de meus pés para que nossas bocas fiquem alinhadas e planta
um grande beijo em meus lábios, me apertando.
– Isso mesmo!
Hoje na academia ele quer me mostrar como atirá-lo, ou mais especificamente,
qualquer um que estiver me ameaçando, ao chão. Agora que estou andando e
correndo um pouco, com total aprovação de minha médica, eu me sinto o máximo.
Mas o que mais me faz sentir bem é o jeito que Christian olha para mim.
Superproprietário, esta é a minha mulher, este é o meu filho. Li
que é completamente normal sentir-se incomodada quando você está grávida, mas
de fato eu não posso sentir o cheiro dele sem queimar por dentro com a
necessidade de rasgar a roupa e pular em seus braços sensuais. Coisa que eu tenho feito, pelo
menos duas vezes por dia, para seu completo prazer masculino.
Seu lado negro não aflorou nos dois meses desde que cheguei aqui, mas está
tramando algo com Taylor e Sawyer. O fato de que os três andam com tantos
segredos me preocupa. Acho que tem a ver com Alayna, mas quando eu lhe disse “Chris,
Alayna me enviou este bilhete. Ela não quer que a gente faça qualquer coisa a
esse respeito e eu tenho que esperar até o final para falar com ela”, ele
apenas riu e disse:
– Deixe isso comigo, tudo bem?
Mas não está tudo bem.
Estou assustada.
Nesta manhã, ele teve uma reunião estranha com Taylor e Sawyer na nossa sala de
estar. Ele olhou para mim e me disse calmamente:
– Posso conversar a sós com os caras só por um momento?
Desde então, comecei a ficar preocupada com seus planos.
E esta é a única parte relacionada à minha gravidez de que eu não gosto. Ser
tratada como uma imbecil, uma fraca e delicada florzinha.
Não, senhor. E hoje vou provar isso na academia quando eu, de fato, conseguir
derrubar
Christian Grey – apesar de estar grávida.
Fico assistindo quando ele faz abdominais, sua respiração rápida e equilibrada,
para dentro e para fora. Assisto quando faz três rodadas pulando corda e três
rounds de boxe na sombra, diretos, ganchos, guarda, esquiva... O peito
suado, a perfeição masculina, a intensidade com que ele trabalha me deixando
abismada. O treinador grita com ele do banco, e Sawyer anota os tempos numa
prancheta.
No momento em que Christian está encharcado e me acena para subir ao ringue,
estou embebida numa espuma de luxúria completa e total.
– Pronta?
Balançando a cabeça, subo ao ringue com ele.
Estou vestida com um de meus macacões, com zíper no meio. Seus olhos me sugam
nessa roupa e juro que eles me comem em todos os lugares que tocam. Ele puxa o
olhar para os meus olhos.
– Pronta? – Sua voz está mais rouca.
– Você não tem ideia de como eu estou pronta. Vou chutar o seu traseiro e isso
vai ser incrível.
– Chute minha canela primeiro, e depois a minha bunda. – Ele me puxa para mais
perto, sua
respiração quente em meu ouvido enquanto ele sussurra: – A chave pra me
derrubar é me tirar de meu equilíbrio. Se eu, ou qualquer um mais pesado do que
você, estiver equilibrado, você nunca vai derrubá-lo.
– Tudo bem – digo, enquanto ele me deixa de lado, porque quem vai perder o
equilíbrio com a
proximidade dele sou eu.
– Você chuta minha canela, eu perco o equilíbrio,
então você me passa uma rasteira como fez da última vez e chuta a parte mais
fraca do meu calcanhar. Veja como fazê-lo agora! Então me faça perder o
equilíbrio e me derrube.
Borboletas nervosas levantam voo dentro de mim, e eu gemo e reviro os olhos.
– Eu me sinto como se fosse me machucar novamente. Você ainda é uma árvore, Christian.
– Com uma canela fodida – ele me chama, seus lábios curvados em diversão, as
covinhas sexy e brincalhonas. – Vamos. Mantenha seu equilíbrio e tire o meu.
Eu olho em seus olhos azuis e brincalhões, enquanto meu coração sente uma
tonelada de amor, sentado bem em cima de mim.
– Ferir você vai contra todos os meus instintos – digo de forma dramática, como
se eu acreditasse mesmo que poderia fazer um arranhão nele.
– Você não vai me machucar nem um pouco – diz ele, rindo.
Então eu o agarro pela mandíbula e o beijo direto nos lábios antes de me
afastar e esticar as
pernas.
– Tudo bem, meu orgulho diz que isso deve ser feito. E se você fosse Scorpion?
Ele faz uma carranca.
– Você vai derrubá-lo, baby, e quero dizer agora. Vamos, balance meu mundo,
minha pimentinha.
Eu faço isso. Chuto a canela, colocando todo o meu peso nisso até ele dizer
“ai”, então giro minha perna tão rápido que pego a parte de trás de sua perna e
sinto que ele vai cair no instante em que o acerto. Mas ainda é Christian Grey,
e ele, naturalmente, parece se estabilizar. Ele se planta de volta para cima,
levando-me fora de equilíbrio quando faz isso. Deixo escapar um guincho quando
começo a cair, e ele me agarra e cai de costas, impedindo a minha queda.
Ele ri quando ficamos em pé de novo.
– Você me deixou ganhar – acuso, estreitando os olhos.
Ele balança a cabeça.
– Não, você fez isso por conta própria – assegura Chris.
– Você é um grande e incrível mentiroso – digo, empurrando-o.
Ele ri e se senta reto comigo no colo, roçando meu rabo-de-cavalo na parte de
trás da minha
cabeça.
– Não foi tão duro, foi? – pergunta, acariciando minha bochecha.
– Não – respondo, e em seguida digo baixinho para que só ele possa ouvir: – Mas
você é.
Ele olha para a minha boca, e eu me mexo em cima dele. Chris abaixa a cabeça e
me cheira, e
sinto arrepios correndo por toda a minha pele quando seu nariz se conecta com a
parte de trás do meu pescoço.
– Você gosta de treinar comigo? – pergunto suavemente
ao apoiar meus braços em seus ombros, ficando toda animada e excitada por causa
de sua enorme ereção debaixo de mim.
– Hmmm... – responde Chris quando levanta a mão e agarra a parte de trás
do meu pescoço. –
Gosto quando a gente treina assim...
Ele me beija suavemente e empurra a língua na minha boca, e eu sinto a
eletricidade correndo de sua língua para todo o meu corpo. Ele está molhado do
treino e seu gosto é quente e sedento, e me sinto ainda mais quente e sedenta
ao apertar o peito, os músculos lisos e firmes quando me sento de perna aberta
sobre ele.
Ele pega meu rabo-de-cavalo, segurando-me no lugar quando levanta a cabeça um
pouco e com a voz rouca diz:
– Sawyer...
– Sim, eu aviso o treinador. – Sawyer não pode esconder o riso em sua voz
quando ele traz mais algumas toalhas e bebidas antes de atravessar o ginásio em
direção à saída.
– Christian... – repreendo.
Seus lábios se curvam deliciosamente nos cantos, enquanto os dedos baixam o
zíper do meu
macacão e Sawyer grita para o treinador:
– Ei, treinador, temos que ir para que o cara possa ficar à vontade com Ana!
Eles desaparecem através das portas do ginásio, e depois que elas são fechadas,
Christian
trabalha seus lábios acaloradamente no meu pescoço.
– Não é possível que alguma coisa seja tão bonita assim – murmura para mim
conforme desliza
sensualmente a mão aberta ao longo da curva de minha espinha.
– Então é aqui que chegamos à parte do beijo, porque é quase impossível para
mim tirar isso –
sussurro.
– Está saindo – diz ele, me lambendo.
Ele beija a minha boca e prende o meu pescoço enquanto me beija. Então usa a
mão livre para
abaixar o zíper do meu macacão. Começo a me contorcer e gemer, porque nós nunca
tentamos isso comigo vestindo algo tão complicado.
– Ele pode sair, mas não facilmente.
– Vamos abrir espaço pra mim – murmura em meu queixo Chris, excitado, ao mesmo
tempo que desce a mão entre as minhas pernas e puxa um pouco do tecido em cada
coxa, a seguir puxando e rasgando o macacão na costura. Sinto o ar entrar pela
abertura e pelo centro de meu ser, então ele enfia a mão por dentro do rasgo e
diz: – Segure no meu pescoço.
Então ele manobra para rasgar e puxar a calcinha que estou vestindo. Ele puxa
pelo rasgão, os
olhos brilhando, e uma onda de excitação me varre como uma tempestade.
– Oh, por favor.
Trazendo a cabeça dele de volta para a minha, tomo seus deliciosos lábios, meus
quadris
balançando desesperadamente por ele.
Chris levanta-me por um segundo, em seguida tira as calças de moletom e me traz
de volta para baixo com uma mão no meu quadril, aquela mão solitária forte o
suficiente para me baixar e me empalar nele. Enorme, quente, duro. Meu. Eu gemo
e lambo seu pescoço, perdida enquanto minhas paredes se abrem para pegá-lo. Ele
agarra minha cabeça e beija a minha boca com mais força. Ele está se mexendo,
amando, me erguendo e me abaixando com uma mão apenas, a outra na parte de trás
do meu pescoço, segurando e prendendo enquanto me beija com sua boca forte e
autoritária, abrindo e provando, afastando e provocando.
Gozo depressa e com força, e seus braços me apertam como tornos enquanto minhas
contrações ondulam através dele. Ouço quando rosna baixinho enquanto me deixa
ordenhá-lo. Então me levanta e me leva através do ringue, me descansando sobre
as cordas. Um de seus braços me protege, sem que tenha saído de dentro de mim
por um segundo. Chris começa a se mover novamente. Gemo baixinho. Sinto-me como
se estivesse flutuando, suspensa no ar por um fio e seu braço, a única ligação
em meu corpo com seu braço e seu pau em mim. Meu rabo-de-cavalo cai atrás de
mim, minha garganta arde e ele está lá para devorá-la. Gemo mais uma vez quando
ele se mexe e tento afundar meus dedos em seus braços inchados, sentindo os
bíceps flexionar e contrair quando seu corpo me penetra.
Não falamos. Nós não precisamos falar com palavras, falamos assim. Levanto
minha cabeça e
começo a morder e lamber Chris, e a ofegar quando ouço sua respiração, quando
flexiona seus
músculos e se mexe, quando ele se move dentro de mim até que eu goze de novo.
Ele nunca, nunca goza antes de mim, Christian espera, me prepara, me observa.
Seus olhos escurecem quando me vê gozar agora, então sua mandíbula funciona e
seu corpo endurece quando mergulha fundo e mantém-se lá, e é aí que ele
explode, quando está inteiro lá dentro, e passo os braços ao redor dele,
abraçando-o dentro de mim, ondulando e me agarrando a ele.
Em vez de nos liberarmos agora, intensificamos nosso aperto quando terminamos.
– Fique dentro de mim – imploro.
Estou recuperando o fôlego, minhas unhas arranhando seus ombros.
Ele me puxa para mais perto e afunda a cabeça entre meus seios e respira forte,
como se minha pele fosse o seu ar, então morde de leve o topo do meu peito.
– Quero viver em você – ele me diz em sua voz rouca e suave que me faz
derreter, e me agarra
mais apertado e me lambe, sua mandíbula áspera em minha pele. – Deus, eu quero
morrer dentro de você.
Meus ossos parecem ficar líquidos no meu corpo, mas
mesmo relaxada, sinto aquela pressão de
toda a sua energia trabalhando na minha.
– Você é tão possessivo, sei que vai me levar com você.
– Eu nunca iria machucá-la.
Rio baixinho.
– Não vai ser sua escolha. Vai me levar com você porque eu vou pra onde quer
que você vá. Você vai ser o meu fim, Christian Grey, mas essa é a maneira que
eu quero ir.
Seu rosto se contorce de dor enquanto ele arrasta a parte de trás dos seus
dedos ao longo da minha mandíbula.
– Não, Ana. Eu vou te proteger, mesmo de mim.
Nós nos olhamos por um momento, e a determinação em seus olhos para me proteger
só me
assegura que, aconteça o que acontecer, a minha vida será sempre entrelaçada
com a dele, para o bem ou para o mal. Vou andar ao seu lado, correr, lutar, nos
agarrar e perseguir seus sonhos, que já se tornaram os meus.
– Como você disse, eu vou te amar mesmo se isso nos matar – sussurro ao
acariciar seu rosto. – Nós todos morremos. Prefiro morrer amando demais a você.
– Baby, eu sou o único que vai te amar demais – diz ele me apertando, me
fazendo rir em
felicidade completa e total.
– Chris... Onde é que vamos ter o bebê?
Ele se endireita e me levanta em seus braços, com as minhas pernas ainda
fechadas em torno de seus quadris à medida que atravessamos o ringue.
– Onde você quiser. Vai ser fora de temporada, então posso levá-la para
qualquer lugar que
escolher.
– Estava pensando que eu poderia manter meu apartamento. No início, não estava
a fim de renovar o aluguel. Mas pode ser inteligente ter um lugar para cobrir
todas as possibilidades. E tenho um quarto vago onde costumava fazer ioga e que
poderia se transformar no quarto do bebê. Kate está louca pra decorá-lo...
Chris nos senta no banco no canto do ringue, onde uma cesta de toalhas e
bebidas nos espera. Pega uma toalha e me ajusta em seu colo enquanto lentamente
começa a me limpar, seu rosto calmo e relaxado.
– Vou pedir a Taylor pra renovar seu contrato por mais um ano, enquanto
procuramos alguma outra coisa – diz ele. – Você pode usar o cartão que eu lhe
dei para comprar qualquer coisa que quiser.
Dobro um braço ao redor de seu pescoço e cutuco uma covinha escondida.
– Então, sou sua namorada e sua funcionária? Oficialmente?
Ele agarra a parte de trás da minha cabeça, vira meu
rosto quase até o teto, e lambe debaixo do meu queixo até a minha boca,
engolindo-a com a dele.
– Oficialmente, você é minha.
* * *
– O que acha, vamos pela rotina de todas aquelas vacinas, ou vamos procurar um
médico que
trabalhe conosco de forma diferente? Há muitas provas de que as vacinas podem
ser a causa de autismo – digo a Christian uma noite.
Estou comendo toneladas de legumes e verduras. Li que os vegetais de cores
diferentes oferecem diferentes antioxidantes. Vegetais verdes fornecem alguns
diferentes do que as verduras roxas e alaranjadas, então como um arco-íris a
cada manhã, de tarde e de noite. O melhor para o bebê de Christian.
Além disso, o abacaxi é a fruta do momento. É tudo que eu quero comer. Assim
que chegamos a cada local, Christian ordena a Gail para trazer todos os
abacaxis orgânicos que ela puder
encontrar. Misturo com bananas para fazer smoothies. Como com pimenta
caiena. Gail faz salteado para mim, com pequenos pedaços de peru. Estou uma
doida por abacaxi e Christian se diverte muito por causa disso.
– Eu diria que é uma menina – Gail me disse ontem – porque você está desejando
doces. Mas
você parece muito bem. Quando você tem uma menina, ou pelo menos, quando eu
tive as minhas meninas, eu parecia uma merda.
– Por quê?
– As meninas roubam sua beleza. E o amor do seu homem. – Seus lábios se curvam
enquanto ela estuda a minha barriga com olhos estreitos e curiosos. – Mas eu
não trocaria minhas meninas por nada no mundo. Você já fez aquela coisa da
corda com um anel?
– Não – respondo.
E ela mostra como você enrola uma corda em torno de um anel e segura sobre sua
barriga e
observa se ele faz círculos para um menino ou linhas para uma menina. Parecia
bobo, mas, é claro, agora eu deito nua na cama e seguro o anel que tomei
emprestado de Gail sobre a minha barriga.
Christian está jogando xadrez em seu iPad, as costas de nossas cabeças
pressionando uma à outra enquanto ele faz o seu negócio e eu faço o meu. Em
poucas semanas estamos indo para Austin, e sei que isso está começando a
deixá-lo inquieto, porque ele não está dormindo muito.
Fico de fato maravilhada com a forma como ele usa o xadrez para se centrar.
Todas aquelas noites em que ele estava inquieto antes e pegava seu iPad,
descansando-o em mim, eu não tinha ideia de que ele jogava xadrez.
Agora, eu amarro o anel falso em um fio quando ele me
diz:
– Vamos chamar um médico de quem gostarmos e fazê-lo trabalhar com a gente no
nosso
calendário de vacinação. – E eu aceno quando finalmente consigo pendurar o anel
na minha barriga e assistir a seu movimento.
– É um círculo ou uma linha? – pergunto.
Ele para de jogar e coloca o iPad de lado, virando-se para olhar. Eu acho que é
um menino,
porque a barriga está baixa e estou dormindo do meu lado esquerdo, e meu cabelo
está encorpado e brilhante, mas não tenho certeza de que essas lendas das
velhas viúvas são verdadeiras...
– Está fazendo as duas coisas – respondo a mim mesma, rindo. – Que fiasco!
E solto um guincho quando ele me agarra pelas axilas e me arrasta para mais
perto.
– O que você quer que seja? – pergunta Chris, espalhando-se por cima de mim e
colocando
uma mecha solta atrás da minha orelha.
– Qualquer coisa. Estou muito curiosa para saber.
– Você pode saber – ele me diz, beijando a ponta do meu nariz. – Vou levá-la a
um médico para que você possa saber, mas eu não quero.
– Por que não quer saber? – deslizo meus braços em torno dele e olho em seus
olhos azuis. – Você tem medo de amá-lo muito, muito, antes mesmo de conhecê-lo?
– O que quer que eles digam, não vai ser real até que eu segure o bebê.
Ele deita de costas e me puxa para o seu lado, então coloca a mão na parte de
trás da minha cabeça e ajusta o meu rosto contra o pescoço dele, e fecho meus
olhos e lambo devagarinho do jeito que me ensinou que gosta. Ele é tão grande,
ele ama tanto, ele luta tanto. Estou dando a Chris aquilo que ele nunca teve e
provavelmente nunca sequer soube que queria. Ele tem medo de ter esperança...
No dia seguinte, ando pela lateral do ringue, observando-o bater o saco
pesado. Tum tum tum tum.
Estou fazendo alguns alongamentos de ioga quando sinto um solavanco vindo de
dentro de mim. Paro de respirar. Sinto isso de novo e fico completamente
imóvel, e vem mais uma vez. Não é uma bolha.
Sinto como se algo dentro de mim estivesse me socando, assim como papai está
socando o saco pesado.
Meu coração salta uma batida e fico de pé imediatamente.
– Christian. Chris! Christian Grey!
Ele oscila e para o saco que estava balançando com uma mão.
– Venha sentir isso!
Pego a luva dele, tiro-a e coloco a mão trêmula na minha barriga, meu coração
acelerado. Vamos, bebezinho...
Christian franze a testa, perplexo. Ele chuta.
Chris semicerra os olhos e aperta a mão mais perto,
seus olhos passando rapidamente até os meus.
– Isso é...?
Concordo com a cabeça.
De repente, ele me abre um sorriso branco, suas covinhas mais fundas do que
jamais vi, os olhos mais azuis do que o mar do Taiti enquanto baixa a cabeça
como se estivesse pronto para conversar com o bebê.
– Diga a ela pra fazê-lo novamente – ele sussurra.
– Ela não presta atenção em mim. – Meus lábios formam um sorriso quando dou uma
cutucada
nele, brincando. – E é ele. Porque meu cabelo está brilhante e estou com a
barriga baixa, acho... E ele tem um belo soco. Talvez se você pedir a
ele de modo educado, ele possa lhe mostrar outros de seus movimentos.
– Chute para o papai e vamos em frente! – grita o treinador do outro lado do
ginásio.
Chris sorri para mim e Sawyer se aproxima, todo preguiçoso naquela arrogância
de surfista-boy.
– Ele se mexeu? Jesus, tenho que sentir isso – ele estende a mão.
– Não toque – Christian rosna, batendo a mão para o lado.
– Cara, ela é como uma irmã...
– Tire as mãos, Sawyer – adverte, empurrando-o de lado com um braço.
Sawyer libera uma grande gargalhada, enquanto Christian me puxa mais perto com
uma mão e
mantém a outra espalhada no meu abdômen, nossos olhares se segurando enquanto esperamos
como dois tontos o bebê se mexer.
Quando o bebê chuta novamente, ele começa a rir. E estou tão cheia de amor que
vou abraçá-lo.
– Isso é real o suficiente pra você? – pergunto, o sorriso dançando em meus
lábios enquanto
inclino a cabeça para ele, minhas narinas pegando o delicioso aroma de sabonete
e suor agarrado à sua pele.
– Isso foi surreal, porra – ele sussurra, os olhos vivos de alegria, e, como se
fosse uma competição de velocidade, beija a minha testa, meu nariz, meu rosto e
meu queixo, então me agarra pela cintura e me arremessa no ar, um grito de
alarme me escapando quando ele me pega.
– Christian Grey, você é o único homem que arremessa sua namorada grávida no ar
desse jeito!
– Ela é uma pequena pimentinha e adora isso! – Ele me atira para o ar
novamente.
Naquela noite, pela primeira vez, tocamos uma canção para o bebê. Chris coloca
seus fones de
ouvido na minha barriga e toca “With Arms Wide Open”, do Creed.
A canção conta ao bebê como Chris vai lhe mostrar o mundo e recebê-lo “de
braços abertos”, e
juro que posso sentir o conforto do bebê, enquanto seu sexy e bonito pai se
estende ao meu lado e começa a me beijar.
– Será que ela foi fisgada? – pergunta ele entre
esses beijos suaves enquanto ouvimos a música tocar em minha barriga.
– Com certeza, porque afinal tudo se trata de você – provoco, segurando seu
queixo com as mãos.
Ele ri.
– Tudo se trata de mim?
– Tudo isso. Tudo. Toda a minha vida – respondo com um toque dramático que
torna óbvio que estou exagerando, mas seu sorriso é tão deslumbrante e enorme,
o seu grande ego de leão tão grande no quarto, que dou um tapinha no queixo e
rio, e por alguma razão, tenho que dizer isso de novo, só para ficar olhando
para aquele grande sorriso largo no rosto. – Sim, Chris, é realmente tudo sobre
você.